Conservação

Nova vitória-régia da Colômbia está criticamente ameaçada

A Victoria colombiana foi identificada no rio Inírida e em lagos próximos. Pesquisadores estimam que existam apenas 30 a 50 indivíduos silvestres.

Ilustração de vitória-régia gigante no rio Inírida, na Colômbia
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial (IA). Não é uma fotografia real do que a matéria descreve.

Uma vitória-régia gigante encontrada no rio Inírida e em lagos próximos, na Colômbia, foi confirmada como uma espécie nova para a ciência. Batizada de Victoria colombiana, a planta possui folhas que podem atingir 2 metros de largura.

A investigação começou em 2021, quando Carlos Magdalena, especialista em vitórias-régias do Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, encontrou no Instagram fotografias publicadas por Jeremiah Harris. As imagens mostravam Harris nadando ao lado das grandes folhas no rio Inírida.

O percurso entre as fotografias e a identificação envolveu análise de imagens de satélite e uma expedição de cinco dias pela floresta inundada da região. A equipe localizou duas populações, incluindo um indivíduo com flor, característica necessária para identificar a espécie. Os pesquisadores estimam, porém, que existam somente cerca de 30 a 50 indivíduos silvestres, condição apresentada pela fonte como justificativa para considerar a planta criticamente ameaçada.

Fotografias deram início à investigação

Nas imagens encontradas por Magdalena, a planta havia sido identificada como um indivíduo silvestre de Victoria amazonica. A localização informada nas fotografias, no entanto, despertou o interesse do especialista.

Segundo Magdalena, nenhuma espécie conhecida de vitória-régia sul-americana do gênero Victoria havia sido relatada anteriormente na bacia do Orinoco, da qual o rio Inírida é tributário. A presença de uma planta desse gênero naquela região, portanto, exigia uma investigação mais detalhada.

As fotografias não eram suficientes para determinar a espécie. Elas forneceram uma indicação geográfica que permitiu iniciar a busca por outras evidências da ocorrência dessas plantas no sistema fluvial.

Folhas detectadas em imagens de satélite

Depois de examinar as fotografias, Magdalena recorreu a imagens de satélite. Nelas, identificou folhas flutuantes do gênero Victoria no rio Inírida e em lagos próximos.

A detecção confirmou que havia mais vitórias-régias naquele sistema fluvial, mas ainda não estabelecia que se tratava de uma espécie nova. A identificação exigiria a observação direta das plantas e, sobretudo, a localização de um exemplar florido.

A afirmação de que a vitória-régia pode ser “vista do espaço” refere-se justamente à detecção de suas grandes folhas circulares nas imagens produzidas por satélite. No caso de V. colombiana, essas estruturas podem alcançar 2 metros de largura.

Uma expedição de cinco dias

Magdalena formou uma equipe com outros pesquisadores e com Nilo Rodríguez, Jaime Hernández e Gustavo Melo, integrantes das reservas indígenas Río Atabapo, Caranacoa-Yurí-Laguna Morocoto e Puinave-Piapoco el Paujil.

O grupo realizou uma expedição de cinco dias pela floresta inundada do Inírida. Durante a busca, a equipe encontrou inicialmente duas plantas sem flores. Embora confirmassem a presença das vitórias-régias, esses exemplares não apresentavam a estrutura necessária para a identificação da espécie.

Na última noite da expedição, quando restavam cerca de dez horas para o encerramento da viagem, Melo conduziu o grupo até um pequeno lago no interior da floresta. Ali, os pesquisadores encontraram uma segunda população, na qual havia um indivíduo florido.

A análise desse material permitiu confirmar que as vitórias-régias do Inírida pertenciam a uma espécie ainda não descrita pela ciência, posteriormente denominada Victoria colombiana.

Conhecimento local foi decisivo

A participação de Rodríguez, Hernández e Melo foi considerada essencial por Magdalena. De acordo com o pesquisador, os integrantes das reservas indígenas contribuíram tanto com seu conhecimento da área quanto com a capacidade de navegação em uma floresta inundada e densa.

As condições do local incluíam ausência de conectividade móvel e limitações no uso de informações de GPS. Nesse contexto, o conhecimento territorial dos participantes foi determinante para que a equipe alcançasse os pontos onde as plantas cresciam e encontrasse o exemplar com flor.

Magdalena afirmou que a pesquisa não teria sido possível sem esse apoio. A expedição evidencia que a documentação da biodiversidade local dependeu da colaboração entre pesquisadores e pessoas com conhecimento direto do território.

Uma espécie grande, mas difícil de encontrar

Apesar das folhas de até 2 metros, V. colombiana permaneceu desconhecida pela ciência. Magdalena atribuiu isso à raridade da planta e ao fato de ela crescer em lugares pouco visitados por pessoas e por equipes científicas.

A própria sequência da expedição demonstra essa dificuldade: as primeiras plantas encontradas não tinham flores, e o indivíduo que permitiu a identificação apareceu apenas no trecho final da busca, em um pequeno lago no interior da floresta inundada.

O caso também mostra os diferentes tipos de evidência empregados no processo. As fotografias chamaram atenção para uma ocorrência incomum; as imagens de satélite ajudaram a localizar outras folhas; e a expedição forneceu o exemplar florido necessário para confirmar a identidade da planta.

População silvestre pode ser muito pequena

Os pesquisadores estimam que existam aproximadamente 30 a 50 indivíduos silvestres de V. colombiana. Com base nessa estimativa, a espécie é apresentada como criticamente ameaçada.

O número reforça a importância de documentar as populações conhecidas e de buscar formas de conservação. Segundo a fonte, a equipe tenta coletar sementes para propagar a planta em jardins botânicos e em áreas próximas às comunidades indígenas.

A confirmação amplia o conhecimento sobre a biodiversidade da região do Inírida, mas também revela que a espécie pode estar representada por uma população silvestre extremamente reduzida. A raridade indicada pelos pesquisadores torna relevante acompanhar os indivíduos encontrados e aprofundar o levantamento de possíveis populações adicionais.

O que ainda não foi informado

A investigação começou em 2021, quando Magdalena encontrou as fotografias no Instagram. A data exata da expedição de cinco dias e o momento em que a identificação foi concluída não foram informados. A notícia da Mongabay foi publicada em 9 de outubro de 2026, data que não corresponde necessariamente à descoberta ou à confirmação da espécie.

A fonte menciona um novo estudo, mas não apresenta o título do trabalho, o periódico científico ou um DOI. Também não foram fornecidos detalhes adicionais sobre como foi calculada a estimativa de 30 a 50 indivíduos silvestres.

Com os dados disponíveis, a confirmação de V. colombiana reúne dois aspectos centrais: o reconhecimento de uma espécie até então desconhecida pela ciência e a indicação de que sua população silvestre conhecida é muito pequena.

Fontes e referências

Mongabay ↗

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