Uma ave que não aparecia em registros verificados havia 13 anos foi observada novamente nas florestas da África Ocidental. O encontro com Lobotos lobatus ocorreu em junho no Parque Nacional de Taï, na Costa do Marfim, e foi documentado com fotografias e vídeo.
O avistamento foi feito por Paulo Ditzel e Stephanie Bartlett, pesquisadores de campo vinculados ao International Bird Conservation Partnership (IBCP). A dupla estava sobre uma ponte, nas proximidades de uma estação de pesquisa ecológica, quando Ditzel identificou a ave entre os galhos e orientou Bartlett para que ela conseguisse fotografá-la.
A Mongabay publicou a notícia em 24 de setembro de 2026. A fonte informa que o encontro ocorreu em junho, mas não declara diretamente o ano do avistamento na passagem que descreve o evento. O registro verificado anterior citado na reportagem havia sido realizado em 2013, na Floresta Atewa, em Gana.
O registro no Parque Nacional de Taï
Ditzel reconheceu a ave pela combinação marcante de cores: corpo laranja vibrante, asas e cauda amarelas e pretas, além de uma cabeça escura com manchas acobreadas na face. Ele acompanhou os movimentos do animal com binóculos enquanto indicava a posição para Bartlett, que direcionou a câmera aos galhos do outro lado de um curso d’água.
A estratégia permitiu que a pesquisadora obtivesse uma fotografia antes mesmo de conseguir visualizar claramente a ave. Segundo seu relato à Mongabay, a câmera também funcionava como ferramenta de identificação durante os levantamentos, já que muitas das aves observadas na região apareciam apenas brevemente e não permitiam aproximação.
Bartlett produziu fotografias e vídeo. Ditzel correu até a estação para chamar os colegas, mas Lobotos lobatus já havia desaparecido quando eles chegaram. Pouco depois, a ave voltou a aparecer e capturou uma lagarta branca e felpuda. Em seguida, desapareceu novamente.
A equipe não voltou a encontrá-la, nem mesmo durante uma caminhada de 15 quilômetros pela floresta no dia seguinte. John Mittermeier, integrante da American Bird Conservancy e diretor do Search for Lost Birds, avaliou que as imagens obtidas estão provavelmente entre as melhores já feitas da ave.
Uma espécie difícil de observar
Lobotos lobatus é chamada em inglês de Ghana cuckooshrike e também de western wattled cuckooshrike. A espécie costuma permanecer no dossel, a parte superior da floresta, característica que pode dificultar sua detecção apesar da plumagem colorida.
No momento do encontro, a ave se movimentava pela copa junto de indivíduos de Erythrocercus mccallii e Nigrita fusconotus. Esse agrupamento de diferentes espécies é descrito em ornitologia como um bando misto.
Registros anteriores situam a ave em partes da floresta da Alta Guiné desde pelo menos a década de 1970. A distribuição atribuída à espécie se estende de Serra Leoa e Guiné, a oeste, até Costa do Marfim e Gana, a leste. Ela é associada principalmente ao dossel de florestas primárias, mas também já foi encontrada em florestas exploradas e plantações.
Como o encontro foi documentado
O novo registro resultou da combinação entre observação direta, experiência de campo e documentação visual. Ditzel identificou a ave e permaneceu acompanhando seus deslocamentos com binóculos. Bartlett, por sua vez, usou a câmera para registrar o animal nos galhos e produzir o material necessário para sustentar a identificação.
Ambos são pesquisadores de campo do IBCP. A expedição teve apoio da organização e contou com colaboração de pesquisadores da África Ocidental. A espécie também estava listada pelo Search for Lost Birds, parceria que promove a busca por aves sem registros durante uma década.
Nico Arcilla, presidente e diretora de pesquisa do IBCP, atribuiu o resultado não apenas à sorte mencionada por Ditzel e Bartlett, mas também à capacidade técnica necessária para localizar e documentar a ave. A rapidez foi determinante: os pesquisadores tiveram pouco tempo para obter imagens antes que ela deixasse o campo de visão.
Por que o intervalo de 13 anos é relevante
O último avistamento verificado citado pela Mongabay ocorreu em 2013, na Floresta Atewa, em Gana. O encontro no Parque Nacional de Taï acrescenta, portanto, uma nova localidade e um novo conjunto de evidências visuais sobre a presença de Lobotos lobatus nas florestas da África Ocidental.
Um intervalo prolongado sem documentação não permite, por si só, concluir que uma espécie tenha desaparecido. No caso desta ave, o comportamento no alto das árvores contribui para que ela seja difícil de localizar. O registro em fotografias e vídeo reduz a incerteza sobre a identificação do indivíduo observado e amplia o material disponível sobre sua ocorrência.
O avistamento, contudo, não responde a questões sobre o tamanho ou a distribuição atual da população. A equipe encontrou apenas uma ave e não conseguiu localizá-la novamente após o encontro, mesmo procurando na floresta no dia seguinte.
Florestas fragmentadas e ameaças persistentes
A área de ocorrência da espécie integra a floresta da Alta Guiné. De acordo com a fonte, exploração madeireira e agricultura reduziram essa extensão florestal e deixaram um mosaico de fragmentos desconectados.
O Parque Nacional de Taï representa uma área importante de habitat nesse cenário. Mesmo dentro do parque, porém, há ameaças associadas à mineração e à caça ilegais. O reencontro da ave indica que locais protegidos como Taï ainda abrigam espécies que podem passar longos períodos sem documentação verificada.
O registro não demonstra, isoladamente, qual é a situação populacional de Lobotos lobatus> nem permite medir os efeitos específicos dessas ameaças sobre a espécie. Ele fornece um ponto de partida atualizado para novas buscas, levantamentos e esforços de monitoramento.
O que ainda não se sabe
A observação documenta a presença de pelo menos um indivíduo no Parque Nacional de Taï, mas permanecem abertas perguntas sobre quantas aves vivem na região, onde estão distribuídas e com que frequência utilizam diferentes tipos de floresta.
Também não há artigo científico ou DOI associado ao registro no material verificado. As informações disponíveis vêm da reportagem da Mongabay e dos relatos dos participantes da expedição.
Outra limitação é a data do evento: a fonte informa que o encontro aconteceu em junho, enquanto a notícia foi publicada em 24 de setembro de 2026, mas o ano do avistamento não é declarado diretamente na descrição do episódio. Por isso, a data de publicação não deve ser apresentada como se fosse a data exata do reencontro.

